Redações Nota MIl
Felipe AntunesPor: Felipe Antunes
23/11/2020- 18:40:34 - Atualizado :23/11/2020- 18:52:19
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Consoante o filósofo Jean Jacques Rousseau, “o homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado“. A partir dessa ideia, infere-se que, apesar de o ser humano possuir a liberdade de escolher produtos e gostos, é, na atualidade, manipulado pelo controle de dados na internet, que tem exercido coerção sobre o comportamento do indivíduo. Tal problemática ocorre devido, entre outros fatores, à ausência de informação e à falta de fiscalização desses mecanismos.

Nesse sentido, o desconhecimento sobre o assunto corrobora a existência do problema. Diante desse fato, a obra “1984“, do escritor George Orwell, apresenta uma sociedade na qual há uma manipulação exercida pelo “grande irmão“. De maneira análoga, nos dias atuais, o controle dos gostos e o estímulo ao consumo exacerbado, por meio de propagandas e de notícias nas redes sociais, além da divulgação de produtos e de serviços na internet, moldam o comportamento da população de acordo com o que é desejado. Nesse cenário, a ausência não só de campanhas informativas nas mídias sociais, como também de debates e de palestras nas escolas e nas comunidades, dificulta o esclarecimento e o desenvolvimento crítico dos indivíduos, logo, torna-se árduo reverter a situação.

Ademais, a ineficácia de mecanismos de fiscalização do controle de dados também agrava essa problemática. Segundo o conceito de indústria cultural, dos sociólogos Theodor Adorno e Max Horkheimer, há uma massificação da cultura como forma de padronização do ser humano, com a escolha de produtos criados próprios para o mercado. Nessa perspectiva, seguindo esse viés, nota-se que a internet faz uso dessa ideia, uma vez que, muitas vezes, busca introduzir no indivíduo, de forma coercitiva e generalizada, noções prontas que atendam às exigências dos meios de manipulação. Desse modo, a ineficácia de leis que fiscalizem e que regulamentem essas intenções, como o Marco Civil da Internet no Brasil, contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Portanto, a manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet é um problema que aflige a sociedade atual e que necessita ser combatido. Para tanto, é dever do Estado, por meio do Ministério da Educação e de suas secretarias e em parceria com as famílias, inserir nas escolas públicas e nas privadas, desde as séries iniciais, a educação digital, com a inserção não só de aulas na grade curricular, mas também de debates e de palestras com especialistas no assunto, com o intuito de desenvolver senso crítico dos indivíduos, para que esses possam adquirir discernimento e serem capazes de tomar decisões. Outrossim, é fundamental que o governo federal, por intermédio de parcerias público-privadas, amplie a fiscalização dos mecanismos de manipulação, ao tornar efetivas leis como as do Marco Civil da Internet, a fim de dissolver esse mal e de gerar homens livres de suas próprias escolhas.

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Felipe AntunesPor: Felipe Antunes
23/11/2020- 18:55:44 - Atualizado :06/01/2021- 16:26:43
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O advento da internet possibilitou o avanço das formas de comunicação e permitiu maior acesso à informação. No entanto, a venda de dados particulares de usuários se mostra um grande problema. Apesar dos esforços para coibir essa prática, o combate a manipulação de usuários por meio de controle de dados representa um enorme desafio. Pode-se dizer, então, que a negligência por parte do governo e a forte mentalidade individualista dos empresários são os principais responsáveis pelo quadro.

Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a venda de dados pessoais e a manipulação do comportamento nas redes. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, grandes empresas sentem-se livres para invadir a privacidade dos usuários e vender informações pessoais para empresários que desejam direcionar suas propagandas. Dessa forma, a opinião dos consumidores é influenciada, e o direito à liberdade de escolha ameaçado.

Outrossim, a busca pelo ganho pessoal acima de tudo também pode ser apontado como responsável pelo problema. De acordo com o pensamento marxista, priorizar o bem pessoal em detrimento do coletivo gera inúmeras dificuldades para a sociedade. Ao vender dados particulares e manipular o comportamento de usuários, empresas invadem a privacidade dos indivíduos e ferem importantes direitos da população em nome de interesse individuais. Desse modo, a união da sociedade é essencial para garantir o bem-estar coletivo e combater o controle de dados e a manipulação do comportamento no meio digital.

Infere-se, portanto, que assegurar a privacidade e a liberdade de escolha na internet é um grande desafio no Brasil. Sendo assim, o governo federal, como instância máxima de administração executiva, deve atuar em favor da população, através da criação de leis que proíbam a venda de dados dos usuários, a fim de que empresas que utilizam essa prática seja punidas e a privacidade dos usuários seja assegurada. Além disso, a sociedade, como conjunto de indivíduos que compartilham valores culturais e sociais, deve atuar em conjunto e combater a manipulação e o controle de informações, por meio de boicotes e campanhas de mobilização, para que os empresários então se pressionados pela população e sejam obrigados a abandonar a prática. Afinal, conforme afirmou Rousseau: “a vontade geral deve emanar de todos para ser aplicada a todos”.

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